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Automação & Agentes

Como criar seu primeiro agente de IA

Um passo a passo para montar seu primeiro agente de IA: entenda o que ele é, defina objetivo e ferramentas, escreva as instruções e teste com supervisão antes de soltá-lo.

Redação StroySF Practical AI Academy Cerca de 12 min
Em resumo

Um agente de IA é um assistente que recebe um objetivo, decide sozinho os passos e usa ferramentas (buscar, ler arquivos, enviar mensagens) para chegar ao resultado. Diferente de um comando único, ele encadeia várias ações. Neste tutorial você vai definir uma tarefa segura, escrever as instruções do agente, conectar poucas ferramentas e testar com supervisão. Também vai entender por que um agente precisa de limites claros e revisão humana.

O que você vai construir

Ao final deste tutorial você terá um agente simples que faz uma tarefa de ponta a ponta — por exemplo, "ler os e-mails de suporte de hoje, resumir cada um e montar uma lista de pendências". Não vamos programar do zero; vamos usar recursos que assistentes modernos já oferecem para configurar comportamento e ferramentas.

Pré-requisitos: uma conta em um assistente de IA que suporte instruções personalizadas e uso de ferramentas, e uma tarefa clara em mente. Se você ainda não conectou a IA aos seus arquivos e aplicativos locais, vale ver antes como conectar o Claude ao computador, porque um agente útil quase sempre precisa acessar algo além do chat.

Passo 1: entenda a diferença entre assistente e agente

Um assistente comum responde a uma pergunta e para. Um agente recebe um objetivo e trabalha em ciclos: pensa, escolhe uma ação, observa o resultado, decide o próximo passo, e repete até terminar.

Um exemplo torna isso claro. Você pede "descubra os três concorrentes mais citados neste relatório e me traga um resumo de cada". O agente:

  1. Lê o relatório e extrai os nomes.
  2. Busca informação sobre cada concorrente.
  3. Resume o que encontrou.
  4. Monta a resposta final.

Essa capacidade de decidir o próximo passo sozinho é o que define um agente. E é também o que exige cuidado: mais autonomia significa mais chances de o agente tomar um caminho errado.

Passo 2: escolha uma tarefa segura e bem delimitada

Para o primeiro agente, escolha algo de baixo risco e resultado verificável. Boas opções:

  • Resumir um conjunto de documentos e listar os pontos principais.
  • Organizar itens de uma planilha em categorias.
  • Gerar rascunhos de resposta que você revisa antes de enviar.

Evite, no primeiro agente, tarefas que enviam mensagens, apagam dados ou movimentam dinheiro sem sua aprovação. Comece por algo onde o pior erro possível é um resumo ruim, não um e-mail embaraçoso disparado para um cliente.

Passo 3: escreva as instruções do agente

As instruções (às vezes chamadas de "system prompt" ou "instruções personalizadas") são a constituição do seu agente. Elas definem papel, objetivo, limites e formato. Escreva de forma direta:

  1. Papel: "Você é um assistente que organiza e-mails de suporte."
  2. Objetivo: "Para cada e-mail de hoje, gere um resumo de uma linha e classifique a urgência."
  3. Limites: "Nunca envie respostas. Nunca invente informação que não esteja no e-mail. Se não tiver certeza, marque como 'revisar'."
  4. Formato: "Entregue uma lista com: remetente, resumo, urgência."

Instruções claras reduzem muito os erros. Vale aplicar aqui os mesmos princípios de bons prompts: seja específico, dê exemplos e diga o que não fazer.

Passo 4: conecte poucas ferramentas

Um agente fica útil quando pode agir além do texto. As ferramentas mais comuns são: leitura de arquivos, busca na web, acesso a e-mail e escrita em planilhas. Segundo a documentação da Anthropic sobre uso de ferramentas ("tool use"), o modelo recebe uma lista de ferramentas disponíveis e escolhe quando chamar cada uma, retornando o pedido para o sistema executar.

No primeiro agente, conecte o mínimo necessário. Se a tarefa é resumir e-mails, ele só precisa ler e-mails e escrever uma lista. Quanto menos ferramentas, menos caminhos para dar errado — e mais fácil de entender o que aconteceu.

Passo 5: teste com supervisão antes de soltar

Rode o agente em um lote pequeno e acompanhe cada passo. Verifique:

  • Ele seguiu o objetivo ou desviou para outra coisa?
  • Os resumos batem com o conteúdo real dos e-mails?
  • Ele respeitou os limites (não enviou nada, não inventou dados)?

Só aumente a autonomia depois de várias execuções corretas. Mesmo assim, mantenha um ponto de aprovação humana para qualquer ação irreversível.

Erros comuns e limites reais

Por outro lado, agentes trazem riscos que um chat simples não tem:

  • Erros em cadeia: se o agente erra o passo 1, ele constrói os passos seguintes sobre a informação errada. Um pequeno engano no início vira um resultado totalmente furado no fim.
  • Alucinações com ação: quando um assistente comum alucina, ele só escreve algo falso. Quando um agente alucina, ele pode agir sobre o dado falso. Por isso os limites e a supervisão importam tanto.
  • Custo e loops: agentes que pensam em muitos ciclos gastam mais e, mal configurados, podem entrar em repetição. Defina um número máximo de passos.
  • Permissões amplas: dar acesso a e-mail, arquivos e web ao mesmo tempo cria uma superfície grande de risco. Conceda só o necessário.

Próximo passo

Seu primeiro agente executa uma tarefa; o próximo salto é organizar várias tarefas em uma sequência confiável e repetível. Isso é um fluxo de trabalho — veja como criar um workflow automatizado com IA. E se você quer entender a base de tudo isso, comece pelo passo anterior na jornada: como automatizar tarefas repetitivas com IA.

Fontes

  • Anthropic Documentation, "Tool use with Claude" — docs.anthropic.com (consultado em 2026).
  • OpenAI Help Center, "Custom instructions for ChatGPT" — help.openai.com (consultado em 2026).
  • Anthropic Help Center, "Getting started with Claude" — help.anthropic.com (consultado em 2026).

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